sexta-feira

O MITO, A LENDA, O SIR

PAUL MCCARTNEY
Ob-La-Di, Ob-La-Da,Chuva e Emoção Inauguram a Arena de Shows do Allianz Parque


Allianz Parque SP 25 e 26/11/14

Postagem: Rozineide M Cruz
Fotos: Marcos Hermes / Neide Crug


Em noite de chove chuva, chove sem parar, trânsito maluco, filas intermináveis e muita desinformação do lado de fora, Sir Paul McCartney com quase uma hora de atraso, finalmente, estreou e encerrou sua turnê “Out There” em São Paulo, no Brasil sendo o mestre de cerimônia na inauguração da Arena de shows do Palmeiras, a belíssima Allianz Parque.
O público paulista, pôde ver de perto o show não só de um grande artista, mas de um mito, uma lenda do rock. Prova disso é o público que o acompanha onde quer que vá. Nas filas do lado de fora e, na Pista, já do lado de dentro da Arena o que mais se via eram famílias inteiras, geração após geração, avós, pais, filhos, netos e, sem medo de errar, até bisnetos vestidos com camisetas dos Beatles eram pura emoção. Cada um com uma história pra contar embalada pela trilha sonora do “quarteto mágico de Liverpool” e, da carreira solo de Paul McCartney que juntos somam mais de 50 anos.
Com sua banda formada pelos músicos Paul ‘Wix’ Wickens (teclados), Brian Ray (baixo e guitarra), Rusty Anderson (guitarra) e Abe Laboriel Jr (bateria) que acompanha o Ex-Beatle a mais de dez anos, Paul passou por todas as fases da carreira, no setlist hits dos Beatles, é claro, passando pelos Wings onde tocou com a então esposa Linda McCartney e, por fim, pela carreira solo com algumas pinceladas no mais recente e aclamado álbum “New”.
Extremamente carismático, tocou piano, teclado, baixo, é claro, e, ao longo do show trocou de guitarra várias vezes exibindo todo seu talento como músico. Dedicou à música “My Valentine” do novo álbum “New” a atual esposa Nancy, “Maybe I’m Amazed” a esposa e companheira de Wings, Linda McCartney e, lembrou os amigos de banda Jorge Harrison em “Something” e John Lennon em “Here Today”. Quando disse: “-... Meu português não é bom, o inglês é melhor, mas vou tentar falar um pouco esta noite”, ele tinha razão. Com ajuda das famosas colas que os astros gringos usam quando pisam por aqui, Paul interagiu muito bem com os fãs, primeiro, dando “boa noite paulistas” para delírio dos presentes. Ao longo das 2h40min de show em alguns hits dos Beatles ele brincou, deu até uma sutil “reboladinha”, demonstrando que aprendeu algumas tipicidades da nossa língua.
"...Essa é pra molecada, disse antes do primeiro acorde de "All Together Now", "show bombando" e "ô, meu" em "I've just seen a face", "é nóis" antes de "Yesterday". Como um grande maestro regeu o coro durante o refrão de "Hey Jude", "agora só os homens/agora só as mulheres/agora todo mundo". Na volta ao palco para o bis, Paul e banda entram agitando bandeiras gigantes do Brasil e da terra mãe, a Inglaterra e aí, gesticula e diz: "...já chega, hora de ir pra casa, dormir (gesto), sair da chuva". Mas que nada. Os fãs queriam mais e tiveram a seqüência matadora de dois bis num total de 39 músicas. Ao final, ele se despediu dizendo; "...até breve, eu volto". Não precisa nem dizer que, problemas à parte, todos querem vê-lo novamente.






PITACOS DA CRUG


Não fossem algumas contrariedades que geraram pontos negativos do show, poderíamos dizer que tudo foi perfeito, mas não foi. Fatores palco e extra palco fizeram a diferença. Primeiro a chuva que São Pedro resolveu derramar em São Paulo depois de tanta seca, justamente, no dia do show, transformou a chegada a nova Arena Palmeiras num imenso caos. Os intemperes do tempo causou alagamentos, parou o trânsito, fez o metrô circular em velocidade reduzida. Fora isso, no entorno da Arena, haviam filas imensas que se prolongaram até praticamente a hora do show. Eram fãs enlouquecidos com a demora na abertura dos portões e a desinformação por parte de quem deveria organizar. Por conta dos transtornos, o show sofreu um atraso de 45 minutos, segundo a Produção, para aguardar a entrada de todos na Arena. Quanto ao show, houve queixas sobre o áudio em alguns pontos da Arena. Nas cadeiras superiores, o som era ruim, com delay, dificultando o entendimentos das falas de Paul McCartney. Na pista premium os sons graves soavam distorcidos, estourados, possivelmente, pela posição das caixas de som fixadas no chão nas laterais do palco.


Os mais atentos, que conseguiram ter um senso crítico a parte da emoção, notaram que a voz de Sir Paul aos 72 anos, sofre com as marcas do tempo, como qualquer mortal, nos agudos e em momentos distintos de algumas músicas. Isso ficou mais evidente no áudio da transmissão ao vivo. Mas, diante da grandeza da sua história, do seu legado, o que podemos dizer: ao mito tudo é dado. Nada tira o brilho de sua performance durante as 2h40min. Foi uma noite emocionante, memorável.
Contudo,o problema que mais repercutiu em todo país, nas redes sociais, foi o corte brusco na transmissão ao vivo do show pelo canal a cabo Multishow. A explicação dada pelo canal que, anteriormente, havia feito larga propaganda sobre a exibição do evento direto do Allianz Parque em São Paulo foi a seguinte: A produção do artista proibiu a transmissão simultânea, ao vivo do show e também a sua íntegra. Por isso, a transmissão sofreu um delay (atraso) de 50 minutos, tempo preenchido no ar pelos apresentadores Titi Muller e Guilherme Guedes, que tentavam dar um clima de "esquenta" repetindo informações de maneira massante e, completando com a exibição de entrevistas velhas e videoclipes de Paul enquanto o show já rolava. Para os fãs, o pior ainda estava por vir. Ao som do refrão de "Live and Let Die", antes da primeira explosão dos fogos, um dos momentos mais aguardados pelos fãs, o canal faz um corte brusco na transmissão do show e, sem maiores explicações coloca no ar a chamada do show de Bruno e Marrone, o que atiçou a ira dos fãs e gerou uma avalanche de reclamações no Twitter.
As informações apuradas, davam conta de que técnicos da equipe de Paul McCartney vetaram a exibição de algumas músicas por ordem do próprio cantor que não se sentia a vontade em exibi-las na TV sem que uma limpeza sonora e alguns ajustes fossem feitos previamente. O que embasa nossa análise: os 72 anos pesam! A partir daí se iniciou no meio da transmissão do espetáculo a escolha das músicas que poderiam ir ao ar direto e as que deveriam passar por ajustes técnicos antes de sua exibição na TV.
Segundo o Multishow, ficou acordado com empresários de McCartney que o canal teria direito a transmitir parte do espetáculo, um período menor do que a duração total do show, o que foi informado ao público antes e durante a exibição. Para aumentar a confusão, o canal também diz que, inesperadamente, recebeu o aviso da produção do cantor que deveria encerrar a transmissão, sem espaço para negociação.
Quem não estava na Arena não pôde ver as imagens belíssimas que misturavam pinturas com fotos e vídeos de todas as fases da vida e da carreira de Paul McCartney exibidas nos dois telões gigantes de led localizados nas laterais do palco. Infelizmente, a produção do artista também não liberou a filmagem e nem a exibição dessas imagens. Uma pena.



Já para a audiência, diante do caos, das desculpas esfarrapadas e do deserviço, restou a ira e as piadas na rede:

"...Multishow comprou a versão SHAREWARE do show do Paul McCartney e ela expirou na melhor parte!"








Setlist do show de terça 25/11, Allianz Parque, SP

"Eight days a week"
"Save us"
"All my loving"
"Listen to what the man said"
"Let me roll it"
"Paperback writer"
"My valentine"
"1985"
"The long and winding road"
"Maybe, i'm amazed"
"I've just seen a face"
"We can work it out"
"Another day"
"And i love her"
"Blackbird"
"Here today"
"New"
"Queenie eye"
"Lady Madonna"
"All together now"
"Lovely Rita"
"Everybody out there"
"Eleanor Rigby"
"For the benefit of Mr. Kite"
"Something"
"Obladi oblada"
"Band on the run"
"Back in te USSR"
"Let it be"
"Live and let die" (corte na TV)
"Hey Jude"

1º bis
"Day Tripper"
"Hi hi hi"
"I saw her standing there"

2º bis
"Yesterday"
"Helter skelter"
"Golden slumbers"
"Carry that weight"
"The end"

Setlist de quarta, 26/11/14 Allianz Parque, SP:

"Magical Mystery Tour"
"Save us"
"All my loving"
"Listen to what the man said"
"Let me roll it"
"Paperback writer"
"My valentine"
"Nineteen Hundred and Eighty Five (1985)"
"The long and winding road"
"Maybe, i'm amazed"
"I've just seen a face"
"We can work it out"
"Another day"
"And i love her"
"Blackbird"
"Here today"
"New"
"Queenie eye"
"Lady Madonna"
"All together now"
"Lovely Rita"
"Everybody out there"
"Eleanor Rigby"
"For the benefit of Mr. Kite"
"Something"
"Obladi oblada"
"Band on the run"
"Back in te USSR"
"Let it be"
"Live and let die" (corte na TV)
"Hey Jude"

1º bis
"Day Tripper"
"Get Back"
"I saw her standing there"

2º bis
"Yesterday"
"Helter skelter"
"Golden slumbers"

segunda-feira

LIVE MUSIC ROCK









ARCTIC MONKEYS 
THE HIVES


Insanidade e Melodia Num Clima de Primavera Londrina






Arena Anhembi 14/11/2014

Por: Rozineide M Cruz

A banda sueca The Hives definitivamente não é de pisar no palco, fazer o som rolar e deixar o público na maresia. Muito pelo contrário. O show do The Hives é pólvora pura, acende e incendeia a loucura e a alegria geral. O pano de fundo do cenário da banda ilustra isso muito bem. O vocalista Howlin' Pelle Almqvist (Per Almqvist)  e seu irmão o guitarrista Nicholaus Arson (Niklas Almqvist) dão o tom da encenação no palco com o insano controlando a todos como marionetes do show, enquanto o baterista Chris Dangerous (Christian Grahn) segura o ritmo da loucura na cozinha da banda. É show pra quem procura a pura diversão livre de qualquer compromisso.
Mas a noite era mesmo londrina e, num clima totalmente inverso, sobem ao palco os britânicos do Arctic Monkeys por volta das 23h05m contando com uma grande expectativa do público.
A atmosfera era de primavera londrina. Noite fria de garoa banhada a som melódico e voz impecável do vocalista Alex Turner. Com pinta de "sex simbol" diferente de muitos "front man", não fez média com o público. Logo de cara abriram o show com o single "Do I Wanna Know?" sucesso nas paradas do mundo inteiro. Em raro momento de interação com o público durante todo o show, Alex Turner introduz outro mega sucesso da banda mais uma faixa do aclamado álbum AM "Arabela" dizendo: "- Estou procurando uma garota chamada Arabela". E foi só.



Um show faixa a faixa, coeso de uma banda extremamente profissional e agora mais madura. A fase da efervescência do som de garagem, cru e energético envolto num visual adolescente dos primeiros tempos passou. Da voz suave e firme de Alex Turner passando pelas notas melódicas da guitarra de Jamie Cook e do baixo de Nick O’Malley até a batida pulsante da bateria de Matthew Helders fica evidente o crescimento do Arctic Monkeys e, o porquê deles terem se tornado em tão pouco tempo um dos grandes ícones do rock mundial.
Em aproximadamente 1h30m (uma hora e trinta minutos) o show do Arctic Monkeys em São Paulo assim como em Santiago no Chile no último dia 11 de novembro, com exceção de "Mardy Bum" (trecho) introduzida já no final do bis, teve o mesmo setlist:


"Do I Wanna Know""
"Snap Out of It"
"Arabella"
"Brianstorm"
"Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair"
"Dancing Shoes"
"Teddy Picker"
"Crying Lightning"
"No. 1 Party Anthem"
"Knee Socks"
"My Propeller"
"All My Own Stunts"
"I Bet You Look Good on the Dancefloor"
"Library Pictures"
"Why'd You Only Call Me When You're High?"
"Fluorescent Adolescent"
"505"


BIS

"One For the Road"
"I Wanna Be Yours"
"Mardy Bum" (trecho)
"R U Mine?"





PITACOS DA CRUG

A Turnê do aclamado álbum "AM" do Arctic Monkeys que viajou por várias cidades do mundo e que passou por São Paulo no último dia 14 deste mês, é um ótimo show de banda "top" inglesa com aspectos britânicos. Explico. O Arctic Monkeys seguindo a linha do seu último álbum "AM", nos remete a um passado recente do meio musical, onde, o foco está na banda e não em uma mega produção. Embora seja um show bem produzido com cenário, luzes e alguns efeitos ambientados ao álbum "AM", em nenhum momento o público se distrai com outro atrativo que não seja a banda. É o Arctic Monkeys pelo Arctic Monkeys.
Os aspectos britânicos ficam por conta da fria noite de garoa em São Paulo típica de clima londrino e do público que cantava como se estivesse embriagado vendo o show dentro de um "pub" inglês. Tudo muito frio, faltou a empatia. Em nenhum momento houve aquela explosão que costumamos ver em shows aqui no Brasil. Era como ver um avião ligar as turbinas mas não levantar vôo.
Um show denso que pedia um espaço fechado, uma outra dinâmica que aproxima-se mais público e banda. Enfim, eram paulistas ou paulistanos, tanto faz, como disse o vocalista Alex Turner, vivenciando a experiência de ser britânico por uma noite diante de uma produção mega com ar de alternativo.











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